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mardi 1 octobre 2013

Renoir - nature morte

Pierre-Auguste Renoir 1840-1926
 Renoir - Nature morte,1872.

Renoir - Nature morte,1872.
Musée Calouste Gulbenkian,Lisbonne.

A pintura foi executada em 1872, ano de realização do célebre Impressionsoleil levant (Musée Marmottan, Paris). Embora apresente um esquema de composição possivelmente inspirado em Fantin-Latour (Mesa com flores e frutos, Museum of Fine Arts, Boston), que abordou o género dentro da tradição clássica, pode afirmar-se, neste caso, que se acrescenta ao tema um tratamento inovador. Esta concepção encontra paralelo na época em Édouard Manet, pintor que procurou intencionalmente incorporar aos objectos inanimados o conteúdo subjectivo da sua apreciação pessoal. 

Uma sequência ordenada de formas esféricas estrutura exemplarmente a representação - os frutos da estação estival estabelecem um diálogo cromático subtil com os objectos de porcelana chinesa cuidadosamente dispostos no espaço - e permite entender o conjunto como um discurso plástico coerente. A estética de ar livre, tão cara aos impressionistas, invade de luz toda a superfície da tela, conferindo-lhe, nessa medida, uma singular originalidade. É através da cor, porém, que Monet melhor expressa uma realidade que se destina, essencialmente, à apreensão pelos sentidos. 




Renoir - Madame Monet

Pierre-Auguste Renoir 1840-1926

Renoir - Madame Monet,1872.

Renoir - Madame Monet,1872.
huile sur toile - 53 x 71,7 cm
musée Calouste Gubelkian,Lisbonne.

O retrato data de uma época em que Renoir visitou com frequência a família Monet em Argenteuil. A figura de Camille é, de resto, uma presença habitual em obras realizadas por grandes nomes ligados ao movimento impressionista. 

A realidade física aparece captada como um impulso de visão rápida, fenómeno que resulta de uma técnica de pincelada espontânea. A cena de interior é tratada como uma pintura de ar livre, aspecto que lhe confere um carácter francamente inovador. A distribuição difusa da luz estende-se por toda a superfície da tela e contribui para reforçar a sensação de frescura geral da representação. 

O realismo íntimo que caracteriza a composição reflecte, por outro lado, uma tendência comum à geração de Renoir. São evidentes as referências à vida contemporânea e ao “japonismo” em voga, bem como as alusões à arte de Goya e Manet.